Escritora portuguesa aborda gerações e renovação na semana literária de Xangai

portuguese.shanghai.gov.cn| 2026-08-17
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​Fórum principal e cerimônia de abertura da 13.ª Feira do Livro de Xangai · Semana Literária Internacional de Xangai. [Foto/Conta oficial do distrito de Hongkou no WeChat: shhongkou]

Às 19h do dia 11 de agosto, o fórum principal e a cerimônia de abertura da 13.ª Feira do Livro de Xangai e da Semana Literária Internacional de Xangai realizaram-se na Livraria JIC, no Bund Norte, em Hongkou. O fórum teve como tema “Gerações e Renovação” e foi dividido em duas partes.

A escritora portuguesa Lídia Jorge proferiu um discurso. Ela salientou que a cultura global passou por mudanças e que Portugal se transformou de um país agrícola em uma nação digital. Ela espera que os jovens leiam as obras das gerações anteriores, não para lhes agradecer, mas para, por meio do testemunho afetivo presente na poesia, compreender como o mundo pode retroceder e avançar. Lídia Jorge afirmou que os jovens acabarão por entender que, mesmo que nada saibam sobre as gerações anteriores, nunca estarão sozinhos.

A escritora recordou a geração de portugueses à qual pertence e considerou que não há problema se a nova geração não agradecer pelo legado que recebeu. Pelo contrário, isso impulsiona a transformação. Mas ela alertou que as conquistas alcançadas não são garantidas para sempre. Mesmo que a tecnologia aponte para perspectivas promissoras, a possibilidade de retrocesso sempre existe. A literatura narra sentimentos sombrios e confere à memória das lutas humanas a beleza da redenção.

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​Lídia Jorge profere discurso na cerimônia de abertura. [Foto/Conta oficial do Jornal de Literatura no WeChat: wenxuebao]

Em outro diálogo com os leitores, Lídia Jorge aprofundou a sua reflexão sobre o significado da literatura. Ela considera que a literatura não é história, sociologia ou filosofia, mas incorpora elementos dessas áreas. O mundo de hoje está empenhado em promover o desenvolvimento científico e tecnológico, enquanto a literatura nos lembra constantemente de preservar aquilo que nos torna humanos. Ler não é buscar finais felizes, nem saber o que fazer; a literatura nos diz o que não devemos fazer.

Lídia Jorge viveu o fim da era colonial. Nos anos 1960 e 1970, ela viajou de avião para a África após o namorado ficar ferido, chegando a Angola e Moçambique. Ela testemunhou o desmoronamento do império colonial português e viu soldados confusos e abalados pela guerra. Registrou as mortes, a desordem social e as rupturas interpessoais. Ela considera que os limites entre história e ficção são por vezes indistintos e que a história também inclui testemunhos individuais. Seu romance A Costa dos Murmúrios teve origem numa discussão sobre gafanhotos que teve na costa de Moçambique naquela época — ela criticou o desprezo de seus companheiros pelos costumes africanos, e aquela cena permaneceu na sua memória.

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​Lídia Jorge assina autógrafos para fãs. [Foto/Conta oficial da Yicai no WeChat: cbn-yicai]

Lídia Jorge também falou do presente deixado por sua mãe. Sua mãe passou os últimos anos de vida em uma casa de repouso, deixando 38 horas de gravações, diários e anotações, que se tornaram material para sua escrita. No romance Misericórdia, ela escreve sobre a vida dos idosos em uma casa de repouso. No livro, um idoso vê pela janela a barriga de uma jovem grávida “como o planeta Terra, redondo, que representa a esperança”. Lídia Jorge disse que o importante é contar bem as histórias, revelando o mundo pouco a pouco.

Escritores do Reino Unido, Vietnã, Espanha, Colômbia, Canadá, Austrália, Alemanha, entre outros países, também proferiram discursos no fórum principal da Semana Literária. Quatorze convidados de 12 países participarão de 30 diálogos literários e sessões de autógrafos entre os dias 12 e 17.

 

Fontes: Conta oficial do distrito de Hongkou no WeChat: shhongkou, conta oficial do Jornal de Literatura no WeChat: wenxuebao, conta oficial da Yicai no WeChat: cbn-yicai