Primeira exposição de Lina Bo Bardi na China é inaugurada em Xangai
Em 25 de julho, o Museu de Arte Contemporânea de Xangai lançou a exposição Lina Bo Bardi: A Poética da Sobrevivência. Trata-se da primeira grande exposição individual da arquiteta na China e também um projeto-chave do Ano Cultural China-Brasil 2026.
A exposição conecta sua carreira criativa por meio de quatro partes: "Chegada ao Brasil", "Civilização da Sobrevivência", "Interlúdio: Resistência e Experimentos Contraculturais" e "A Poética da Sobrevivência", reunindo mais de 300 peças de exposição, como maquetes arquitetônicas, pinturas, manuscritos, fotos históricas e documentos audiovisuais, apresentando suas explorações multidimensionais nos campos da arquitetura, design, curadoria e cultura pública. O design da exposição conecta nove salas de exposição com tecidos de linho translúcidos contínuos e extensos. No saguão do primeiro andar da sala de exposições, é recriado o espelho d'água interno do SESC Pompeia, obra representativa de Bardi, criando um espaço aberto para os visitantes permanecerem e interagirem.
Lina Bo Bardi nasceu em Roma, Itália, em 1914. Seu estúdio foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, então ela passou a escrever para revistas e atuou como subeditora da revista Domus. Em 1946, ela se mudou para o Brasil e iniciou sua prática arquitetônica. Bardi permaneceu por um longo período no Estado da Bahia, no nordeste do Brasil entre 1959 e 1964. A longa pesquisa etnográfica subverteu seu estereótipo sobre "atraso", incentivando a proposição do conceito de "civilização da sobrevivência". Ela descobriu que as populações de baixa renda formam sistemas de vida usando objetos descartados em ambientes de escassez. Essa experiência fez com que ela definisse uma direção criativa baseada na cultura tradicional. Em 2021, a Bienal de Arquitetura de Veneza concedeu-lhe postumamente o Leão de Ouro Especial pelo conjunto da obra. O comentário afirmou que, em suas mãos, a arquitetura se torna uma arte social que reúne o público.
A Casa de Vidro é o primeiro projeto arquitetônico de Bardi no Brasil, concluído em 1951, sendo a residência própria onde ela morou com seu marido. As paredes de vidro transparente em todos os lados fazem com que a casa pareça flutuar entre as árvores, realizando uma convivência poética entre o design modernista e a paisagem tropical brasileira.
O Museu de Arte de São Paulo (MASP), concluído posteriormente, cede completamente o espaço do solo para a praça urbana com seu enorme vão livre estrutural. A aparência vermelha brilhante do edifício se tornou um símbolo urbano de São Paulo. Ela transformou o museu de um recipiente de arte fechado em um espaço público aberto a todas as pessoas.
O SESC Pompeia é a obra representativa da fase tardia de Bardi. Ela preservou os traços industriais da antiga fábrica, criou aberturas semelhantes a cavernas no novo edifício e introduziu espelhos d’água no piso de concreto. As relíquias industriais se tornaram locais para a reunião e a alegria do público.
A exposição é organizada conjuntamente pelo Instituto Lina Bo e P.M. Bardi e pelo Power Station of Art, com curadoria do historiador de arquitetura Renato Annelli e design de exposição do estúdio OPEN Architecture. A exposição fica em cartaz até 25 de outubro.
Fontes: Conta oficial do distrito de Huangpu no WeChat: shhuangpu, Chinanews, Xinmin Evening News, thepaper