Músico estrangeiro reconstrói o patrimônio cultural imaterial com sons

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​Elia (à esquerda) experimenta figurinos da Ópera Kunqu. [Foto/Conta do distrito de Changning no WeChat: shchangning]

Em 27 de junho, o documentário Som de Xangai teve sua estreia asiática no Centro de Artes de Hongqiao. Dirigido pelo compositor cipriota Marios Joannou Elia, o filme utiliza a audição como fio narrativo principal, com foco na dimensão sonora do patrimônio cultural imaterial da China.

Elia, no estúdio de Zhao Jinyu, herdeira da Ópera Kunqu, ouviu o canto de O Pavilhão das Peônias no estilo shuimoqiang, o que despertou nele a ideia de fazer o filme. Ele transformou a melodia de O Pavilhão das Peônias em um tema musical e formou uma equipe criativa interdisciplinar, abrangendo música folclórica, Tai Chi, bordado Gu, cerimônia do chá, qipao, gongos e tambores Shijin e teatro de sombras, conectando tudo através do som.

A equipe de filmagem abandonou apresentações performáticas, adentrando oficinas de bordado, casas de chá, academias de artes marciais e palcos de ópera, capturando sons sutis: o leve som de "puf" da agulha perfurando o tecido, o nítido "clac" da tesoura cortando fios de seda, o som das solas dos pés roçando o chão durante a prática do Tai Chi, o fluxo ritmado da água na cerimônia do chá, e o ritmo dos passos de salto alto no chão, acompanhados pelo movimento dos qipaos. Elia transformou esses sons em notas musicais. Zhao Jinyu ficou maravilhada com pequenos sons que nunca havia percebido, e ainda mais impressionada com a forma como Elia integrou o som do bordado, a respiração e a tensão dos fios de seda na trilha sonora, fazendo a melodia transmitir o calor e a textura do patrimônio cultural imaterial.

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​A equipe de filmagem grava sons do bordado Su, um item do patrimônio cultural imaterial. [Foto/Conta do distrito de Changning no WeChat: shchangning]

Os sons no filme não se limitam aos itens do patrimônio cultural imaterial. Os apitos dos barcos nas margens do Rio Huangpu, o jazz xangainês do Lincoln Center e a sinfonia urbana refletida nas fachadas de vidro dos arranha-céus foram todos incorporados. Juntos, esses sons constroem a dimensão espaço-temporal de Xangai, conectando passado, presente e futuro. Elia acredita que Xangai está enraizada no passado enquanto constrói o amanhã, e o patrimônio cultural imaterial é um veículo vivo que conecta os três.

A pós-produção incorporou novas tecnologias. Amostras de instrumentos tradicionais foram processadas eletronicamente e entrelaçadas com efeitos sonoros modernos. Os sons ambientes do local foram reorganizados, formando um campo sonoro rico em camadas. A experiência auditiva combina a serenidade clássica com a nitidez contemporânea. O filme inova na narrativa auditiva, interpretando a cidade por meio da linguagem sonora.

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​Elia com músicos de instrumentos chineses e ocidentais. [Foto/Conta do distrito de Changning no WeChat: shchangning]

O documentário levou dois anos para ser aperfeiçoado. No dia da estreia, embora não falasse chinês com fluência, Elia disse com um sorriso que o processo de filmagem foi terapêutico para ele e que o som é uma linguagem universal que transcende fronteiras. O filme será posteriormente exibido no exterior.

 

Fonte: Conta do distrito de Changning no WeChat: shchangning